Entrevista: Design Thinking e Gestão Pública em foco.

O Gestor Governamental de Planejamento, Orçamento e Gestão, Newton Cerezini, vai ministrar a palestra Design Thinking: uma forma de redesenhar serviços públicos com foco no cidadão no Seminário Nacional de TIC para a Gestão Pública – SECOP. O evento será realizado de 9 a 11 de novembro, em Manaus. Graduado em Administração, Cerezini possui especialização em Gestão Governamental com foco em Cidades e é formado em Design Thinking pela Design Thinking Academy e pela Echos Escola de Design Thinking. O gestor atua na Secretaria de Planejamento e Gestão – Seplag/PE há quase dois anos e, nesta entrevista, fala sobre o conceito de Design Thinking e sua aplicabilidade na gestão pública.

1 – O que é o Design Thinking e como foi que surgiu esse conceito?

Design Thinking é uma nova abordagem para solução de problemas com foco no ser humano. O economista Herbert Simon em seu livro “The Sciences of the Artificial” definiu o Design como uma forma de transformar condições existentes em condições perfeitas, mas quem primeiro utilizou o termo Design Thinking foi o professor de Arquitetura e Desenho Urbano da Universidade de Harvard, Peter Rowe, no seu livro “Design Thinking”. Na obra, ele descreve métodos e abordagens utilizadas por arquitetos e urbanistas para solucionar problemas.

2 – Como foi que você chegou ao Design Thinking?

Sempre gostei de estudar Inovação e o Design Thinking começou a aparecer nas empresas privadas como uma forma de trazer inovação para a solução dos seus problemas. Comecei a estudar essa ferramenta e fui atrás de alguns cursos em São Paulo. Fiz um curso online da Universidade de Virgínia também.

3 – Como o conceito é aplicado no setor público?

Se pensarmos direitinho, quem mais deveria solucionar os problemas focando no ser humano deveria ser o governo, já que sua função primordial é servir a população. Quando começamos a colocar o cidadão como foco na resolução do nosso problema, passamos a desenvolver serviços públicos que tornam mais fácil a vida do cidadão solucionando suas necessidades por completo.

4 – De que forma o Design Thinking se relaciona com inovação?

O Design Thinking é uma ferramenta que ajuda a tirar as ideias do papel. Como é uma ferramenta muito interativa, ela quebra alguns tabus como “eu não sou criativo”, “criatividade é um dom”. Quando a pessoa participa de um processo de Design Thinking ela começa a ganhar Confiança Criativa, pois começa a tirar suas ideias do papel.

5 – De que maneira o Design Thinking contribui para a construção de cidades inteligentes?

Todo o conceito de cidade inteligente vai se passar na relação entre cidade, governo e cidadão. Como o Design Thinking ajuda a criar serviços mais centrados no cidadão, ele acaba sendo um dos alicerces das cidades inteligentes.

6 – Onde esse tipo de pensamento está sendo mais desenvolvido atualmente? E o Brasil, como está nesse processo?

Nos Estados Unidos, Nova Zelândia, vários países da Europa e também no Chile. Todos esses países estão investindo muito na inovação. Sabem que as necessidades dos cidadãos mudaram completamente e que a forma que o serviço público é oferecido tem que mudar. Nesses países inclusive existem laboratórios de inovação que ajudam a fomentar a inovação nos serviços públicos. No Brasil, já existem algumas iniciativas como o IGOVSP que é um laboratório de inovação em serviços públicos do estado de São Paulo. Temos a Rede Inovagov do Ministério de Planejamento Federal que está tentando criar uma rede que ajude a fomentar a inovação nos serviços públicos do Brasil. Em Pernambuco, existe o L.O.U.C.O. Laboratório de Objetos Urbanos Conectados. Ele funciona como um laboratório de inovação aberto para que estudantes possam vir propor suas soluções para a melhoria da qualidade de vida nas cidades baseado em internet das coisas. A inovação se tornou indispensável para a prestação de serviços para o cidadão e o governo que não perceber isso poderá perder um tempo precioso na busca de soluções para a melhoria de vida da população.

7 – O investimento para implantar o Design Thinking nas organizações é alto?

Os treinamentos em Design Thinking não precisam de um alto investimento. Inclusive as pessoas que participam dos cursos podem se tornar disseminadores e facilitadores em grupos de inovação. Um dos pilares do Design Thinking são os ambientes adaptáveis, aquelas famosas salas com pufs e post its espalhados por toda a parede. Essas salas ajudam as pessoas a se desconectarem do seu dia a dia e imergirem em um processo de desenvolvimento de soluções criativas. O investimento para um sala dessas chega a ser irrisório, e lógico já que estamos falando de criatividade cabe a cada um dar o seu jeito e fazer a sua “sala de Guerra”. Mas não ache que o processo consiste em apenas espalhar pufs e post its pela sala. Existe toda uma metodologia baseada na abordagem do DT (conhecida como duplo diamante) que faz com que todo o processo atinja seu objetivo no final, passando pelas fases de entendimento, observação e pesquisa, ponto de vista, ideação, prototipagem, teste e iteração.

8 – Que projetos estão sendo atualmente desenvolvidos na gestão pública de PE a partir dessa nova forma de se criar soluções?

Ainda estamos engatinhando nesse processo, mas já começamos a utilizar essa ferramenta nos planejamentos estratégicos que a Secretaria Executiva de Desenvolvimento do Modelo de Gestão – SEDMG realiza em outros órgãos do Estado. Se tomarmos o planejamento estratégico da Secretaria Executiva de Ressocialização-SERES, por exemplo, fizemos questão de ir conversar com os detentos do nosso sistema prisional para fazer com que o resultado final contemple todos os envolvidos.

9 – Desde quando o setor público tem se sensibilizado para o uso do Design Thinking? O que ainda falta para que a gestão pública o incorpore nas suas práticas?

Desde 2013 se nota uma discussão muito grande de como se trazer inovação para a Gestão Pública. Ainda existe uma certa resistência por parte de algumas pessoas sobre a efetividade do processo de inovação, mas mais cedo ou mais tarde ele acabará sendo implantado.

10 – Você poderia falar um pouco sobre a tua palestra no SECOP? E também sobre como você vê esse tipo de evento?

O SECOP é um evento de Tecnologia de informação voltado para a área de Gestão Pública. Sabemos que muitas das inovações que surgirão para melhorar a prestação de serviços pelo governo cruzarão seu caminho com a tecnologia. A palestra que ministrarei no SECOP aborda justamente essa interação dos serviços públicos com o governo. Focará em casos de sucesso que estão acontecendo pelo mundo e terá como sua meta principal abrir os olhos dos espectadores sobre as possibilidades de inovação no setor público. Espero que consiga causar o impacto necessário para que mais pessoas comecem a enxergar o cidadão como um ser único, complexo e que precisa estar sempre no centro de qualquer serviço prestado.

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Os Três Pilares: a gestão pernambucana com resultados

A revista Negócios PE divulgou no dia 15 de outubro de 2014 uma “edição especial e histórica” com o título: “O CEO Eduardo”.  Dentre as matérias abrangidas pela revista, destacamos “Os três pilares”, em referência aos três pactos (saúde, educação e segurança) criados durante o primeiro mandato do ex-governador Eduardo Campos em Pernambuco.

A matéria traz uma entrevista com o Secretário de Educação e Esportes, Ricardo Dantas, o qual aponta o bom desempenho do Estado nos resultados obtidos nas avaliações nacionais e algumas das principais ações desenvolvidas pelo Pacto pela Educação, que teve seu início em 2011 com a chegada dos Gestores Governamentais de Planejamento, Orçamento e Gestão na Secretaria de Educação e Esportes.

Leia a matéria completa aqui: Os três pilares

A Profissionalização da Gestão Pública

Capa da 4ª edição da Revista Gestão Pública, do Instituto Gestão/SEPLAG-PE

Capa da 4ª edição da Revista Gestão Pública, do Instituto Gestão/SEPLAG-PE

Analista de Planejamento, Orçamento e Gestão, Analista de Controle Interno e Analista em Gestão Administrativa. Essas são as carreiras que estão mudando a Administração Pública do Estado de Pernambuco, rompendo as barreiras das disfunções burocráticas e garantindo resultados efetivos à sociedade.

Criados em 2008, os referidos cargos foram concebidos no âmbito do Modelo Integrado de Gestão, institucionalizado por meio da Lei Complementar nº 141, de 3 de setembro de 2009, com o objetivo de ampliar o desempenho geral do Governo do Estado na entrega de bens e serviços à sociedade, com a qualidade necessária e cada vez mais cobrada pela população.

Esse objetivo se materializou com o concurso para a seleção dos gestores, que atraiu pessoas jovens, qualificadas e familiarizadas com a tecnologia, elementos necessários para a mudança de cultura organizacional pretendida.

Adicionalmente, a remuneração desses servidores está atrelada ao cumprimento de uma carga horária mínima anual de formação continuada, e à avaliação de desempenho, realizada com o estabelecimento de metas institucionais, cujo atingimento é condição para o incremento de um bônus salarial anual. Além disso, para avançar na carreira, é necessário que o servidor, em determinado momento, conclua uma pós-graduação em sua área de atuação, o que incentiva ainda mais a procura por qualificação profissional.

Assim, a criação dessas três carreiras faz parte do processo de profissionalização da gestão pública, que está se consolidando em todo o país. O grande desafio é evitar o turnover e manter esses profissionais motivados, para o que se faz necessário reconhecimento e valorização das carreiras.

Este assunto foi abordado com profundidade na 4ª edição da Revista Gestão Pública, produzida pelo Instituto Gestão, vinculado à Secretaria de Planejamento e Gestão do Estado. Recomendamos a leitura!

Pernambuco reforça a profissionalização da Gestão Pública

No último dia 11 de outubro o governador Eduardo Campos assinou um projeto de lei que propõe a transformação dos 969 cargos comissionados em funções gratificadas de direção e assessoramento. Esta iniciativa representa um importante passo em direção a profissionalização da Gestão Pública em Pernambuco, incentiva o plano de cargos e carreiras e aponta uma redução de R$ 25 milhões na folha de pagamento do Estado.

“Nos últimos três anos, fizemos concurso para analista em diversos segmentos de atuação (gestão, planejamento e controle interno). Com essas seleções, nós começamos a preparar essas pessoas para assumirem determinadas funções no Executivo”, afirmou o secretário de administração Décio Padilha.

Segundo levantamento realizado pela AAPOG, atualmente 24,5% dos Analistas de Planejamento, Orçamento e Gestão possuem algum cargo ou função gratificada.

Para conferir a matéria na íntegra, acesse o link.