“Hoje, os APOGs são os grandes responsáveis por termos importantes ferramentas de gestão acontecendo na Educação, Segurança e Saúde”

AAPOG entrevista: Bernardo d´Almeida, secretário de Desenvolvimento Social e Direitos Humanos, que atuou como secretário de Gestão por Resultados na SEPLAG e acompanhou de perto o nascimento do Pacto pela Vida e a estruturação dos Pactos pela Saúde e pela Educação.

Confira:

Foto_Bernardo Dalmeida1) Secretário, a administração pública pernambucana passou por mudanças significativas nos últimos anos. A gestão com foco em resultados ganhou força como ferramenta estratégica do Governo. O senhor acredita que a sociedade já sente os benefícios dessa mudança?

Sim, a sociedade pernambucana, após sete anos da implementação do modelo gestão com foco em resultados, consegue perceber a melhoria da prestação dos serviços públicos. Tecnicamente chamamos de geração de valor público, que nada mais é do que a redução da evasão escolar, a diminuição da criminalidade e o aumento da sensação de segurança, bem como o acesso a saúde de qualidade.

2) O senhor iniciou o desafio de coordenar o grupo que monitora o Pacto pela Vida. Como era o ambiente no qual foram iniciados os trabalhos? Quais dificuldades foram superadas? Quais foram os desafios iniciais e os resultados alcançados pelo Núcleo de Gestão por Resultados (NGR) na SDS?

Embora o Pacto pela Vida tenha sido implementado em maio de 2007, apenas em setembro de 2008 foi criado o comitê gestor do Pacto pela Vida. Este sim dentro da filosofia da gestão por resultados. Na Secretaria de Defesa Social havia uma expectativa muito grande com a nossa chegada, pois mesmo com todo o investimento feito até então, não tínhamos alcançado os resultados pactuados com a sociedade. Assim, tivemos que conjuntamente diagnosticar os gargalos, planejar ações, monitorar a execução das tarefas, e avaliar. No início de 2009 lançamos com as polícias o Planejamento Operacional 2009, o primeiro integrado com Polícia Civil, Polícia Militar, Polícia Científica e Corpo de Bombeiros. Foi um sucesso. Desde então, este planejamento foi continuamente aprimorado, com busca da redução da criminalidade. O Núcleo de Gestão por Resultado na Defesa Social, também, foi essencial na elaboração do Planejamento Estratégico, em que pela primeira vez em Pernambuco o orçamento de uma secretaria ficou totalmente alinhado com as ações reais a serem executadas.     

3) Em 2010, o Núcleo de Gestão por Resultados na Defesa Social passou a contar com Analistas de Planejamento, Orçamento e Gestão (APOGs), servidores de carreira. Quais mudanças essa nova realidade trouxe para o trabalho do Núcleo?

Antes dos analistas tivemos os técnicos temporários que tinham a mesma formação dos atuais analistas. Foram os precursores e colaboraram bastante no instrumental até hoje utilizado pelos analistas. Mas foi com estes últimos que a gestão por resultados se consolidou na Defesa Social. Era preciso investir em uma carreira própria de profissionais que viriam para ficar e transformar a gestão de Pernambuco.

4) A partir dos bons resultados alcançados através do Pacto pela Vida, o senhor assumiu a Secretaria Executiva de Gestão por Resultados, passando a coordenar, também, os Pactos pela Educação e pela Saúde. Como o senhor analisa o papel deles para a melhoria da oferta de serviços públicos de qualidade?

Quando falo dos resultados do PPV , digo que eles não seriam os mesmos se não tivéssemos investindo em educação. E foi isso o que fizemos. Pernambuco há bem pouco tempo era o segundo pior estado brasileiro em evasão escolar. Hoje graças a vontade política do Governador Eduardo Campos somos o quinto melhor, segundo dados do MEC, e o que tem a maior rede de escolas integrais do Brasil, superando São Paulo e Rio de Janeiro juntos. Na Saúde, os indicadores hoje são tratados de maneira muito mais gerencial, e com o monitoramento do Pacto pela Saúde a gestão da SES tornou-se muito mais eficiente.

5) O senhor poderia exemplificar as contribuições dos APOGs na construção dos Pactos?

Hoje os APOGs são o motor dos Pactos. Eles acompanham, monitoram, produzem dados gerenciais, facilitam a integração, e são os grandes responsáveis por hoje termos essas importantes ferramentas de gestão acontecendo na Educação, Segurança e Saúde.

6) O senhor entende que o trabalho realizado por um NGR colabora para o desenvolvimento das secretarias? Em que ele pode ajudar?

Pela experiência que tive entre 2008 a 2013 com diversos secretários de estado, acredito que a carreira se transformou em grande parceira para as secretarias. E ela colabora na produção de relatórios, diagnósticos, cenários, etc.

7) Na sua opinião, quais as perspectivas futuras para a carreira de Analista de Planejamento, Orçamento e Gestão dentro do serviço público?

Pelo desempenho, resultados alcançados, digo que é a carreira do futuro junto com suas co-irmãs AGAD e ACI.

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“A valorização da carreira já é uma realidade em Pernambuco”

"Acredito que ainda vamos crescer muito"

“Acredito que ainda vamos crescer muito”

Primeiro analista de planejamento, orçamento e gestão de Pernambuco a assumir cargo de Secretário Executivo acredita no crescimento e vislumbra um futuro promissor para os gestores públicos

Neste mês de janeiro, nenhuma notícia soou melhor aos ouvidos dos analistas de planejamento, orçamento e gestão de Pernambuco do que a nomeação de Severino de Andrade ao cargo de Secretário Executivo de Gestão por Resultados, substituindo Bernardo D´Almeida, que estará à frente da Secretaria de Desenvolvimento Social e Direitos Humanos.

Severino tem 30 anos, é formado em Administração pela Universidade Federal de Pernambuco e pós-graduado em Gestão Pública pela UFRPE. Natural de São Lourenço da Mata, onde reside até hoje, começou sua carreira na área pública como funcionário da Caixa Econômica Federal. Em 2009 concorreu ao cargo de analista de planejamento, orçamento e gestão. No ano seguinte, iniciou um grande desafio junto ao Núcleo de Gestão por Resultados na Defesa Social (NGR-SDS): trabalhar no diagnóstico e monitoramento das áreas integradas de segurança estruturadas pelo Pacto pela Vida (PPV), plano de segurança desenvolvido pelo Governo do Estado que reduziu em 60,88% a taxa de CVLI por 100 mil hab. de Recife, passando de 73,67 em abril/07 para 28,82 em dezembro/13.

Desde então, Severino vem se destacando pela seriedade e espírito de equipe.  Como analista, acompanhou as áreas do Sertão e da Capital no PPV e foi gerente geral de Gestão por Resultados nas Secretarias de Saúde e de Educação. As experiências fizeram Severino acumular um capital único: conhecimento e capacidade técnica para estar à frente de uma das secretarias executivas mais importantes do Estado, a Secretaria de Gestão por Resultados (SEGR), que coordena os três Pactos: Pacto pela Educação (PPE), Pacto pela Vida (PPV) e Pacto pela Saúde (PPS).

Diante do desafio grandioso, o novo secretário reconhece: “conhecimento e capacidade técnica são mais fáceis de adquirir, dependendo apenas de dedicação. Já a capacidade de articulação é algo mais complexo que envolve, além de muito trabalho, tempo e capacidade de ouvir e expor ideias. Alguns articuladores são magistrais, como é o caso de Bernardo D’Almeida (secretário anterior). Espero ter aprendido o suficiente com ele para fazer este trabalho continuar dando certo”.

Sobre o crescimento da carreira no Estado, Severino, que recentemente estampou as páginas da revista “Você S/A” em reportagem sobre a profissionalização da gestão pública, avalia: “temos que medir nosso crescimento em função da qualidade do nosso trabalho. A valorização da carreira não pode ser medida apenas pela quantidade de cargos em comissão ocupados e sim na expansão de nossa capacidade em assumir novas responsabilidades”.

A AAPOG conversou com o novo secretário para saber um pouco mais sobre o trabalho realizado nos Pactos e as expectativas para o futuro da carreira. Confira a entrevista:

Depois de atuar nos três núcleos de GPR, Severino abraça a missão de participar da coordenação dos três pactos em PE

Depois de atuar nos três NGRs, Severino abraça a missão de participar da coordenação dos três pactos em PE

1)Como era o ambiente no qual foram iniciados os trabalhos na SDS? Quais dificuldades foram superadas? Quais foram os desafios iniciais como analista e os resultados alcançados pelo núcleo da SDS?

Chegando na SDS me deparei com um trabalho em andamento e já com resultados expressivos. A maior dificuldade foi assimilar as funções, conceitos e responsabilidade de um trabalho que era novo para mim e para todos. Nossas referências de trabalho precisaram ser extraídas das pessoas que compunham o modelo devido a sua singularidade. Para superar estas dificuldades tivemos que nos apoiar nas pessoas que já estavam envolvidas neste trabalho para entender o funcionamento do modelo. Também fomos desafiados a criar novos métodos. Em 2010, o PPV superou a meta de 12% de redução no CVLI.

2) Como relação aos três pactos, como você analisa o papel deles para a melhoria da oferta de serviços públicos de qualidade?

Os pactos de resultados desafiam os gestores públicos a adotar um novo perfil de administração. Os gestores precisam assimilar a postura de nortear suas decisões para a obtenção do resultado pactuado. Este processo gera uma ruptura com conceitos arcaicos de gestão, melhora as informações disponíveis para o processo decisório e promove novas habilidades para as pessoas e novas metodologias para os processos. O resultado destas mudanças é a ampliação e qualificação das informações que gera melhores decisões e maior capacidade de execução, impactando positivamente a qualidade dos serviços públicos.

3)Você poderia exemplificar as contribuições dos analistas na construção dos mesmos?

Os analistas são produtores das informações do modelo e, no caso da gestão por resultados , são também a referência dos gestores neste processo. Sem os analistas, os gestores receberiam a missão, mas não teriam o aporte de dados e análises que lhe permitem rever seus processos e se orientar continuamente para os resultados.

4) O que mais você gosta entre as atribuições do cargo de analista?

Pessoalmente gosto muito de trabalhar com informações. Mas creio que a autonomia seja um fator desafiador para quem trabalha nos pactos. Embora exista uma necessária padronização em alguns processos, o analista que acompanha uma Gerência Regional pode fazer análises e discussões específicas que são diferentes da abordagem de outro analista que deve ser norteada ao contexto de outra Gerência Regional.

5) Nesse tempo em que atua na Seplag, que momentos você considera marcantes?

O início de cada novo trabalho. Cada área de atuação me obrigou a estudar temas diferentes e de aprender com perspectivas diferentes de trabalho. As reuniões dos pactos também são momentos marcantes nos quais as grandes decisões são tomadas. Obviamente são marcantes os convites para exercer novas funções. Aqui, aprendi que cargo não é um prêmio e sim uma responsabilidade.

6) Você esperava ser nomeado para o cargo de secretário executivo? Como você recebeu a notícia?

Havia outras pessoas tão ou mais qualificadas para o cargo. Como já havia substituído Bernardo em outras ocasiões, sabia que esta era uma possibilidade. Mas não ficava pensando nisto. Acho que temos que focar nas nossas missões e fazer sempre o melhor, independente de ocupar ou não um cargo em comissão.

7) Estar à frente dos três pactos requer domínio de cada um deles, capacidade técnica e de articulação. Quais seriam os desafios do secretário executivo Severino a partir deste ano?

Devo conhecer sim os dados, conceitos e pessoas envolvidos nos pactos. Evidentemente o conhecimento mais profundo de cada pacto está na cabeça das pessoas que trabalham o dia a dia nas secretarias. Acredito que este seja o motivo da acertada decisão de alocar fisicamente os analistas dentro das secretarias executoras. Como secretário executivo, devo estar atento ao andamento dos três pactos e zelar pelo alinhamento de suas ações com as diretrizes e metas do governo. Conhecimento e capacidade técnica são mais fáceis de adquirir, dependendo apenas de dedicação. Já a capacidade de articulação é algo mais complexo que envolve, além de muito trabalho, tempo e capacidade de ouvir e expor ideias. Alguns articuladores são magistrais, como é o caso de Bernardo D’Almeida. Espero ter aprendido o suficiente com ele para fazer este trabalho continuar dando certo.

8) A carreira de gestor público tem alcançado notoriedade nos mais diversos níveis. Você acredita que há mais valorização da carreira pública? Quais os atrativos para o cargo de gestor público hoje? Que possibilidades ele oferece?

A carreira de gestor público é extremamente promissora. A valorização já é uma realidade em Pernambuco. Nossa associação tem feito um ótimo trabalho de divulgação e negociação. O núcleo do governo também tem se demonstrado interessado em estimular nosso crescimento por entender que isto agrega valor à administração pública. Temos que seguir fazendo a nossa parte, trabalhando em alto nível e mantendo uma postura profissional para nos habilitarmos a ser agentes de melhoria do serviço público.

9) Como você avalia o papel dos analistas dentro do panorama atual de Governo? Você vê boas perspectivas para o futuro?

Hoje somos uma carreira em crescimento. Mas temos que medir nosso crescimento em função da qualidade do nosso trabalho. A valorização da carreira não pode ser medida apenas pela quantidade de cargos em comissão ocupados e sim na expansão de nossa capacidade em assumir novas responsabilidades. Devemos adotar a filosofia da melhoria contínua para nossa carreira também. Acredito que ainda vamos crescer muito e ajudar o governo a dar saltos de qualidade nos números e nos processos organizacionais.